Mais da metade das famílias brasileiras não lê para crianças pequenas
Apenas 37% das famílias realizam esse tipo de prática com regularidade, abaixo da média internacional de 46%
Um estudo internacional divulgado pela OCDE aponta que 53% das famílias brasileiras raramente ou nunca leem livros para crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola. O levantamento foi realizado nos estados do Ceará, Pará e São Paulo e evidencia desafios no estímulo à leitura na primeira infância.
De acordo com os dados, apenas 14% dos responsáveis realizam leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana índice bem abaixo da média internacional, que é de 54%. A pesquisa faz parte do Estudo Internacional sobre Aprendizagem e Bem-estar na Primeira Infância (IELS).
O coordenador do levantamento e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tiago Bartholo, avalia que a situação é preocupante inclusive entre famílias de maior renda, onde a prática frequente de leitura não chega a 25%. Segundo ele, ainda falta conscientização sobre a importância da leitura compartilhada no desenvolvimento infantil.
Além da baixa frequência de leitura, o estudo também destaca o uso elevado de telas. No Brasil, 50,4% das crianças utilizam dispositivos digitais diariamente, percentual acima da média internacional (46%). Em contrapartida, 62% raramente usam esses dispositivos para atividades educativas.
Os impactos aparecem no aprendizado. Crianças com maior exposição diária a telas apresentam desempenho inferior em habilidades como leitura, escrita e noções matemáticas.
O levantamento também revela desigualdades importantes. Crianças de menor nível socioeconômico, além de pretas, pardas e indígenas, apresentam piores resultados em diversas áreas, especialmente em matemática e memória de trabalho. No comparativo, crianças brancas têm vantagem de até 40 pontos em numeracia.
Por outro lado, o Brasil apresentou desempenho ligeiramente acima da média internacional em habilidades iniciais de linguagem, com 502 pontos, resultado atribuído por pesquisadores a políticas públicas voltadas à alfabetização.
Outro dado que chama atenção é a baixa frequência de atividades ao ar livre: Apenas 37% das famílias realizam esse tipo de prática com regularidade, abaixo da média internacional de 46%.
Para especialistas, os resultados indicam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à primeira infância, integrando ações entre família, escola e poder público. O estudo também reforça que práticas simples, como leitura, interação e atividades físicas, são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças.
