Ex-dirigentes e associados contestam fechamento da Vila Olímpica da URT em Patos de Minas
Associados informam que medida judicial foi ajuizada para discutir e delimitar direitos

Um grupo formado por ex-superintendentes, diretores, sócios, familiares, funcionários, patrocinadores e colaboradores da Vila Olímpica da União Recreativa dos Trabalhadores (URT) divulgou uma nota de manifestação e esclarecimentos sobre a situação do clube e o anúncio de encerramento das atividades.
No documento, o grupo contesta a decisão e defende a continuidade do espaço, que, segundo os signatários, reúne mais de duas mil cotas familiares individuais e remidas. De acordo com a manifestação, a Vila Olímpica surgiu há mais de 30 anos e passou por diferentes fases até chegar à estrutura atual.
O terreno onde o clube funciona teria sido obtido por uma permuta com a área doada para a construção do empreendimento. Confome os associados, o imóvel possui restrições ambientais por estar às margens do Rio Paranaíba e contar com uma nascente e represa destinada à dissipação de águas pluviais.
Ainda conforme o documento, posteriormente a URT teria cedido a um investidor o direito de desenvolver no local um projeto de clube. Títulos foram comercializados e carnês de pagamento emitidos com a promessa de construção de um empreendimento de grande porte. No entanto, o projeto não teria sido concluído.
Mobilização
Diante desse cenário, sócios remidos teriam se mobilizado para recuperar e utilizar o espaço, com anuência da URT registrada em ata. Foram realizados mutirões e iniciadas ações para arrecadar recursos. Entre as iniciativas estava a realização de campeonatos entre os associados, que contribuíram financeiramente.
A nota afirma que a Vila Olímpica passou a ser administrada por diretorias escolhidas pelos próprios associados, responsáveis por decisões administrativas, financeiras e patrimoniais. O grupo também sustenta que funcionários, fornecedores, manutenções e demais despesas foram administrados sem interferência da URT.
Outro ponto destacado na manifestação é a existência de CNPJ próprio. Segundo os signatários, a Vila Olímpica aparece como filial perante a Receita Federal em razão do vínculo documental estabelecido na escritura do imóvel, mas as decisões administrativas teriam sido tomadas de forma independente.
Impasse
O grupo afirma que a situação chegou ao ponto considerado mais grave após a URT anunciar publicamente a dissolução e o fechamento da Vila Olímpica. Para os signatários, a medida representa uma ameaça a um espaço social e familiar construído ao longo de décadas com participação direta dos associados.
Na nota, os integrantes afirmam não serem contrários ao crescimento e à modernização da URT, especialmente no futebol, mas defendem que eventuais investimentos não sejam realizados com a eliminação do clube e dos postos de trabalho. Para eles, seria possível construir um novo espaço sem prejudicar os associados.
Diante do impasse, os associados informam que uma medida judicial foi ajuizada para discutir e delimitar os direitos e deveres de cada uma das partes. O objetivo, conforme eles, é preservar os investimentos realizados pelos sócios ou garantir indenizações consideradas justas, caso a continuidade do clube não seja possível.
