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Boi gordo sobe na segunda quinzena de setembro com oferta restrita e demanda firme

Valorização da arroba é influenciada pela menor oferta de animais terminados, recuperação das exportações e sinais de melhora no consumo interno.

Matheus Borges2026-09-25Fonte: NTV
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O mercado do boi gordo registrou uma movimentação fora do padrão na segunda quinzena de setembro, com valorização da arroba em um período que tradicionalmente apresenta maior estabilidade ou pressão sobre os preços. A combinação entre oferta mais restrita de animais terminados e perspectivas positivas para as exportações e o consumo interno tem sustentado as cotações.

Durante análise no programa Pecuária e Mercado, a analista Isabela Cavalcante, da Agrifatto, destacou que o mercado físico trabalha atualmente com menor disponibilidade de animais prontos para o abate. Entre os fatores apontados está a menor participação de fêmeas nas escalas dos frigoríficos e a transição do ciclo pecuário.

No mercado futuro, os contratos negociados na B3 também apresentam valores elevados em relação às referências atuais do mercado físico. Os vencimentos para o fim do ano chegaram a ser negociados acima de R$ 380 por arroba.

Confinamento deve ampliar oferta, mas sem pressionar preços

A aproximação do período de saída dos animais confinados deve aumentar a disponibilidade de gado para abate nos próximos meses. A avaliação, porém, é de que esse movimento não seja suficiente para provocar uma queda significativa nas cotações.

Segundo Isabela Cavalcante, os animais confinados devem contribuir para ampliar a oferta, mas a expectativa é de que o efeito seja mais de limitação das altas do que de pressão baixista.

“Esses animais vão sair, vão aumentar a oferta, mas não é uma oferta que vai pressionar a arroba do boi gordo, e sim, possivelmente, limitar as altas”, afirmou a analista.

Exportações voltam a ganhar ritmo

No mercado internacional, os embarques brasileiros de carne bovina in natura apresentaram recuperação na terceira semana de setembro, ultrapassando a marca de 50 mil toneladas.

A expectativa de maior demanda chinesa também influencia as projeções para os próximos meses. A preparação para o Ano Novo Chinês e a proximidade da virada dos lotes podem estimular novas compras por parte dos importadores a partir de meados de outubro.

Além da China, o cenário externo conta com outros fatores considerados positivos para o setor brasileiro. Entre eles está uma cota adicional de 300 mil toneladas nos Estados Unidos, que amplia as oportunidades para a carne brasileira naquele mercado.

O Brasil também recebeu novas habilitações para exportação à Indonésia. Já os rumores sobre uma possível utilização de cotas do Uruguai para ampliar as vendas à China foram classificados como especulativos, sem confirmação oficial das autoridades chinesas.

Mercado interno dá sinais de reação

No mercado doméstico, os preços da carne bovina no atacado paulista também apresentam sinais de recuperação. A valorização tem sido observada especialmente em cortes do quarto traseiro, enquanto dianteiro e ponta de agulha apresentam comportamento diferente.

O movimento é interpretado como um possível sinal de melhora na procura por cortes considerados mais nobres e destinados principalmente ao preparo na grelha.

Para o último trimestre do ano, a demanda interna ainda pode contar com fatores sazonais, como contratações temporárias, pagamento do décimo terceiro salário e aumento do consumo durante as festas de fim de ano.

Cenário favorece pecuaristas, mas exige cautela

A combinação entre oferta ajustada e demanda em recuperação cria um cenário de sustentação para os preços do boi gordo na reta final do ano.

A perspectiva também está relacionada à transição do ciclo pecuário, que pode alterar a disponibilidade de animais para abate e influenciar as cotações nos próximos meses.

Apesar do cenário positivo para os preços, a recomendação apresentada na análise é de atenção à evolução das escalas dos frigoríficos e do mercado físico. Para os produtores, o acompanhamento desses indicadores pode ajudar na definição do momento de comercialização dos animais e na gestão das oportunidades de preço.