Café dispara na Bolsa de Nova York e produtores já miram saca a R$ 2,1 mil
Contratos de café arábica acumulam alta superior a 40% desde o fim de junho; no mercado físico, lotes de café fino chegam a R$ 1.950 por saca.

O mercado internacional de café registra forte valorização e alta volatilidade. Desde o fim de junho, os contratos futuros do café arábica negociados na Bolsa de Nova York acumulam alta superior a 40%, movimento que também influencia os preços praticados no mercado físico brasileiro.
Em Varginha, no Sul de Minas Gerais, lotes de café fino foram negociados entre R$ 1.900 e R$ 1.950 por saca. Com a valorização, parte dos produtores já reposiciona as metas de comercialização e mira preços entre R$ 2 mil e R$ 2,1 mil por saca.
Segundo Heberson Sastre, gerente da mesa de operações da Minasul e analista de mercado, o produtor tem acompanhado o cenário com cautela, principalmente diante das incertezas climáticas.
No Sul de Minas, a colheita está na reta final, com aproximadamente 70% a 80% do volume total já realizado, incluindo a varrição. A quantidade colhida segue dentro das projeções, mas a qualidade dos grãos sofreu alterações.
De acordo com a análise, houve redução de aproximadamente 10% a 15% na proporção de cafés finos em relação aos cafés médios. As chuvas durante o período de colheita contribuíram para restringir a oferta de cafés de maior qualidade.
Além das condições climáticas, a valorização do café é influenciada pelos estoques reduzidos de cafés finos e pela demanda internacional. O consumo mundial continua aquecido, com destaque para o crescimento do mercado chinês.
As preocupações com os efeitos do El Niño sobre as próximas floradas e a formação dos grãos também mantêm o mercado em alerta. Os possíveis impactos podem atingir não apenas o Brasil, mas também importantes produtores internacionais, como Colômbia e Vietnã.
Outro fator apontado é a atuação de fundos de investimento no mercado de commodities, em busca de proteção diante de incertezas econômicas, inflação e questões geopolíticas.
Produtor deve evitar apostar no preço máximo
Diante das oscilações do mercado, a orientação aos cafeicultores é adotar uma estratégia de comercialização escalonada. A recomendação é realizar vendas em diferentes momentos, aproveitando as oportunidades de preços elevados sem tentar acertar exatamente o topo das cotações.
A estratégia pode ajudar o produtor a formar uma média de preços, garantir margens positivas e reduzir os riscos provocados pela volatilidade do mercado.
