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Meio Ambiente

Produção de leite bate recorde no Brasil e chega a 36,7 bilhões de litros em 2025

Volume cresceu 2,7% mesmo com queda no número de vacas ordenhadas; Minas Gerais lidera produção entre os estados

Luís César2026-09-30Fonte: Agencia Brasil
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A produção de leite no Brasil atingiu 36,7 bilhões de litros em 2025, recorde histórico e alta de 2,7% em relação ao ano anterior. O resultado marca o terceiro ano consecutivo de crescimento e ocorreu mesmo com a redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que caiu para 14,7 milhões de animais.

Os dados fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução do número de animais, combinada ao aumento da produção, levou a produtividade a um novo recorde.

Em 2025, cada vaca produziu, em média, 2.498,7 litros de leite, aumento de 5,6% em relação a 2024. Foi o terceiro ano seguido de avanço da produtividade.

O número de vacas ordenhadas, por outro lado, foi o menor desde 1979, quando havia 14,9 milhões de animais. O recorde foi registrado em 2011, com 23,2 milhões de vacas ordenhadas. Desde então, o indicador apresenta tendência de queda.

Produtividade aumenta

Segundo o IBGE, o avanço da produtividade pode estar relacionado a uma combinação de fatores, como condições climáticas favoráveis, investimentos em melhoramento genético do rebanho e reorganização da base produtiva.

O processo também envolve a saída de produtores menos especializados ou com menor capacidade de investimento. De acordo com o analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, a pecuária leiteira exige investimentos em mão de obra e tecnologia, o que favorece produtores com maior capacidade de realizar esses aportes.

Em 2024, a produção brasileira havia alcançado 35,7 bilhões de litros. O resultado de 2025 representa o segundo recorde consecutivo.

Sul lidera produtividade

A região Sul apresentou a maior produtividade média do país em 2025, com 4,3 mil litros por vaca.

Na sequência aparecem:

  • Sudeste: 2,9 mil litros por vaca;

  • Centro-Oeste: 2 mil litros;

  • Nordeste: 1,7 mil litros;

  • Norte: 957 litros.

Apesar de liderar em produtividade, o Sul ficou praticamente empatado com o Sudeste na participação da produção nacional.

A região respondeu por 34% do leite produzido no país, enquanto o Sudeste participou com 33,5%. O Nordeste representou 18%, o Centro-Oeste, 9,8%, e o Norte, 4,6%.

Minas Gerais lidera produção de leite

Minas Gerais manteve a liderança nacional na produção de leite. Em 2025, o estado produziu 10,1 bilhões de litros, de um total de 36,7 bilhões registrados no país.

Entre os cinco maiores produtores estaduais, três estão na região Sul:

  1. Minas Gerais: 10,1 bilhões de litros;

  2. Paraná: 4,8 bilhões;

  3. Rio Grande do Sul: 4,2 bilhões;

  4. Santa Catarina: 3,4 bilhões;

  5. Goiás: 2,9 bilhões.

Castro lidera entre os municípios

O município de Castro (PR) foi o maior produtor de leite do país em 2025, com 532,8 milhões de litros.

Na sequência aparecem:

  • Carambeí (PR): 306,8 milhões de litros;

  • Patos de Minas (MG): 249,2 milhões;

  • Patrocínio (MG): 178,7 milhões;

  • Lagoa Formosa (MG): 161,1 milhões;

  • Coromandel (MG): 150,3 milhões;

  • Orizona (GO): 138 milhões;

  • Arapoti (PR): 137,2 milhões;

  • Itaíba (PE): 133,7 milhões;

  • Poço Redondo (SE): 130,6 milhões.

Valor da produção chega a R$ 89,5 bilhões

O valor da produção de leite alcançou R$ 89,5 bilhões em 2025, alta de 2,3% em relação ao ano anterior. O cálculo considera a quantidade produzida e o preço médio pago ao produtor, sem correção pela inflação.

O preço médio do litro ficou em R$ 2,44, praticamente estável em relação a 2024.

Do total produzido, 75,2% foram destinados à indústria. O restante teve outros destinos, como consumo próprio e produção de queijos artesanais.

O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite e possui o terceiro maior rebanho de vacas ordenhadas.

Pecuária movimenta R$ 141,2 bilhões

A PPM também mostra que o valor total da produção pecuária brasileira atingiu R$ 141,2 bilhões em 2025, recorde e crescimento de 6,2% em um ano.

A produção de leite de vaca foi responsável por 63,4% desse valor.

A pesquisa reúne informações sobre diferentes segmentos da pecuária e da aquicultura, incluindo bovinos, galinhas, suínos, caprinos, peixes e camarões, além de produtos como mel, lã e ovos.

Produção de ovos também bate recorde

O número de galináceos — que inclui galos, galinhas, frangos e pintos — chegou a 1,6 bilhão de cabeças, alta de 1,6% em relação a 2024.

A quantidade de galinhas também atingiu recorde, com 293,3 milhões de animais.

A produção de ovos chegou a 5,7 bilhões de dúzias, aumento de 5,7% em relação ao ano anterior.

Segundo o analista do IBGE Octavio Costa de Oliveira, o resultado está relacionado ao aumento da demanda. O ovo pode funcionar como alternativa de proteína em períodos de preços elevados das carnes e também é associado a uma alimentação considerada saudável.

A utilização pela indústria de massas alimentícias é outro fator apontado como impulsionador da demanda.

Rebanho bovino cai pelo segundo ano seguido

Na direção oposta aos resultados do leite e dos ovos, o rebanho bovino brasileiro caiu pelo segundo ano consecutivo.

Em 2025, o país tinha 234,3 milhões de cabeças de gado, o menor número desde 2022, quando foram contabilizados 234,9 milhões.

Segundo o IBGE, a redução está relacionada ao ciclo da pecuária e ao abate de fêmeas em anos anteriores, o que diminui temporariamente a capacidade de reposição do rebanho.

O município de São Félix do Xingu (PA) continuou com o maior rebanho do país, com 2,7 milhões de cabeças.

A produção também foi acompanhada por recordes nas exportações de carne bovina in natura. Em 2025, o volume exportado cresceu 21,4%, enquanto o faturamento aumentou 42,5% em relação ao ano anterior.

A China foi o principal destino, responsável por 53,3% das exportações brasileiras do produto.

Caprinos, ovinos, mel e aquicultura também têm recordes

A pesquisa do IBGE registrou ainda recordes em diferentes segmentos da produção agropecuária.

Os rebanhos de caprinos e ovinos chegaram, respectivamente, a 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais.

A produção de mel alcançou 71,3 mil toneladas, maior volume já registrado.

Na aquicultura, a produção de camarão atingiu 172,4 mil toneladas, também recorde. A produção de peixes cresceu 7,1%, chegando a 783 mil toneladas.

A tilápia respondeu por quase 70% da produção de peixes registrada no país.