Exportações de milho e soja movimentam fretes agrícolas no país em 2026
Conab aponta aumento nos embarques de grãos e mudanças nos valores dos transportes durante o mês de julho.

O crescimento das exportações de milho e soja e o avanço da segunda safra do cereal movimentaram o setor de transporte de cargas agrícolas em julho. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e fazem parte do Boletim Logístico divulgado nesta sexta-feira (28).
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de milho, volume 10,53% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As exportações de soja chegaram a 82,9 milhões de toneladas, crescimento de 7,8% na comparação anual.
O Arco Norte concentrou a maior parcela do escoamento das duas principais commodities. Nos primeiros sete meses do ano, os portos da região foram responsáveis por 46,12% das exportações brasileiras de milho e por 39,03% dos embarques de soja.
O Porto de Santos também teve participação importante no transporte dos grãos. O terminal respondeu por 22,27% dos embarques de milho e 35,74% das exportações de soja no período.
Fretes apresentam comportamentos diferentes
Em Mato Grosso, principal produtor nacional de grãos, a Conab identificou redução dos preços dos fretes rodoviários na maioria das rotas pesquisadas durante julho. Das 25 rotas analisadas, 18 apresentaram queda, com variações que chegaram a 11% negativos em relação a junho.
Segundo a Conab, a redução ocorreu depois de um período de maior movimentação entre março e abril, impulsionado pela safra da soja. Mesmo com a queda, os preços permanecem em patamares considerados elevados diante da dinâmica da produção da safra 2025/26.
Em Mato Grosso do Sul, os valores também recuaram em diversas regiões na comparação mensal. Entretanto, quando considerado o período de um ano, houve aumento em 15 das 17 rotas pesquisadas. A movimentação de milho para alimentação animal, indústrias de bioenergia e cooperativas ajudou a manter a demanda por transporte.
Em Goiás, as cotações dos fretes apresentaram redução na maior parte das rotas analisadas. O andamento da colheita do milho segunda safra foi influenciado pelas condições climáticas e apresentou ritmos diferentes entre as regiões.
Já no Distrito Federal, todas as rotas avaliadas registraram aumento nos valores dos fretes na comparação mensal e anual. Em relação a julho de 2025, os preços cresceram entre 9% e 32%.
No Paraná, o avanço da colheita do milho segunda safra aumentou a movimentação nos corredores de transporte. Na rota entre Campo Mourão e o Porto de Paranaguá, os fretes subiram cerca de 40%, também influenciados pelo fluxo de exportação da soja.
Importação de fertilizantes recua
Outro dado apresentado pela Conab envolve a importação de fertilizantes. De janeiro a julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas, uma redução de aproximadamente 7,48% em relação ao volume registrado no mesmo período de 2025.
A Conab analisou as principais rotas utilizadas para o transporte de grãos em dez estados brasileiros. O levantamento considera os efeitos da colheita, da demanda interna, das exportações, da sazonalidade e das condições de transporte sobre os preços dos fretes agrícolas.
Os dados completos estão no Boletim Logístico – Agosto de 2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento.
