Ameaças e deep fakes: violência digital contra mulheres cresce mais de 200% em Minas Gerais
Violência contra a mulher deixou de estar restrita apenas aos espaços físicos

As denúncias de violência contra mulheres no ambiente digital tiveram um aumento expressivo em Minas Gerais neste ano. Casos envolvendo ameaças, perseguição virtual, criação de perfis falsos, divulgação de imagens íntimas sem autorização e até conteúdos manipulados por inteligência artificial cresceram mais de 200% no Estado.
Dados do Ligue 180 apontam que, entre janeiro e maio deste ano, Minas Gerais registrou 845 mil denúncias relacionadas à violência digital, um aumento superior a 206% em comparação com o mesmo período do ano passado. A violência contra a mulher deixou de estar restrita aos espaços físicos e passou a ocupar também as redes sociais.
Segundo a advogada Natália Romão, práticas realizadas no ambiente virtual podem causar danos psicológicos, sociais e até financeiros às vítimas. Entre as situações mais comuns estão a divulgação de fotos ou vídeos íntimos sem consentimento, ameaças, perseguição, exposição da vida pessoal e criação de conteúdos falsos da vítima.
“Com a evolução do ambiente digital, essas violências começaram a migrar. Ou seja, aquela mulher que era perseguida pessoalmente pelo agressor passou a ser perseguida online. Isso é um crime responsabilizado pelo Código Penal”, informou a bacharel.
Perseguição e orientação
Outro ponto é o avanço do uso da inteligência artificial na produção dos chamados deep fakes, imagens e vídeos manipulados digitalmente para simular situações falsas envolvendo uma pessoa real. A advogada explicou que a responsabilização depende de cada caso e que condutas praticadas no ambiente virtual já possuem previsão legal.
Quando há perseguição, a prática pode ser enquadrada como crime de stalking, com possibilidade de aplicação de pena de prisão. Além da esfera criminal, as vítimas também podem buscar reparação por danos causados pela exposição indevida. A orientação é reunir provas, como prints, links e conversas, para auxiliar nas investigações.
“Gravar sempre áudios, ligações, perfis falsos e, para proteger as provas, fazer uma ata notarial no cartório, além de procurar um advogado de confiança para pedir que essas plataformas retirem esses conteúdos manipulados”, destacou Romão.
Apesar de ocorrer por meio de telas e aplicativos, a violência digital provoca consequências reais e pode comprometer a segurança, a saúde emocional e a dignidade das mulheres. A recomendação é que qualquer situação de abuso seja denunciada e que as vítimas procurem apoio junto às autoridades competentes.
