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Policiais

Golpe do IPVA: sites falsos clonam portal do Governo de Minas para desviar pagamentos por Pix

Operação Contramão prendeu 10 suspeitos e apreendeu celulares, notebooks, cartões bancários, cocaína e simulacro de arma; investigação aponta que esquema funcionava desde 2024.

Matheus Borges2026-09-03Fonte: MPMG
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou nesta quinta-feira (3) a Operação Contramão, contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes no pagamento do IPVA. Segundo as investigações, o grupo criava sites falsos com aparência semelhante ao portal oficial do Governo de Minas para induzir contribuintes a pagar o imposto por Pix para contas controladas pelos criminosos.

A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pelo 11º Promotor de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de Belo Horizonte. Os investigadores apuram crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica e organização criminosa.

De acordo com o MPMG, há indícios de que o esquema esteja em funcionamento desde 2024, sendo reativado nos períodos de vencimento das parcelas do IPVA.

Os criminosos reproduziam a identidade visual e o fluxo de pagamento do portal oficial e utilizavam domínios que combinavam palavras como “gov”, “detran” e “minasgerais”. Ao acessar a página e gerar o QR Code, a vítima acreditava estar quitando o imposto, mas o dinheiro era direcionado para empresas de fachada.

Ainda segundo a investigação, algumas dessas empresas tinham nomes que simulavam serviços relacionados à arrecadação pública, como “pagamentos de taxas”, “gestão de tarifas” e “administrativo veicular”.

As empresas eram abertas próximas aos períodos de vencimento das parcelas e, em vários casos, permaneceram ativas por menos de cinco meses. Depois de receber os valores, o dinheiro era fracionado e transferido para contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal.

Prisões e apreensões

Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas em cidades de Goiás, Maranhão e São Paulo.

A operação terminou com dez investigados presos. Também foram apreendidos celulares, notebooks, pendrives, cartões bancários, 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.

As investigações continuam. O material apreendido será analisado e as buscas pelos demais suspeitos continuam. O processo tramita sob sigilo.

Como evitar o golpe

O contribuinte deve fazer o pagamento do IPVA somente pelos canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) e pela rede bancária conveniada.

Também é importante desconfiar de links recebidos por WhatsApp, SMS e redes sociais e de anúncios patrocinados que aparecem em mecanismos de busca.

Antes de confirmar um Pix, o contribuinte deve verificar cuidadosamente quem é o beneficiário da transferência. Um tributo estadual não deve ter como destinatário uma empresa privada de “gestão”, “assessoria” ou “pagamento de taxas”.

Outra recomendação é conferir o endereço eletrônico antes de informar dados ou gerar o pagamento. Sites comerciais que misturam termos relacionados a órgãos públicos podem indicar uma tentativa de fraude.

Quem já realizou um pagamento para um destinatário suspeito deve registrar um boletim de ocorrência, comunicar imediatamente o banco para tentar bloquear os valores e procurar os canais oficiais da SEF/MG.