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Laudo aponta que pinça esquecida em cirurgia pode ter contribuído para morte de idoso 

Caso ocorreu após Manoel ter passado por cirurgia no Hospital Municipal de João Pinheiro

Lorena Teixeira2026-06-18Fonte: NTV
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Um parecer técnico-médico elaborado a partir da análise do prontuário do paciente Manoel Cardoso de Brito, de 68 anos, concluiu haver elementos para sustentar a ocorrência de uma falha assistencial durante procedimento cirúrgico realizado no dia 5 de dezembro de 2025. 

O caso ocorreu após Manoel ter passado por uma cirurgia no Hospital Municipal de João Pinheiro, para tratar uma úlcera no intestino. Apesar da gravidade do quadro do idoso, os registros indicaram que houve melhora clínica temporária após a primeira operação.

No entanto, em 11 de dezembro, Manoel voltou a apresentar piora na saúde. Exames identificaram a presença de um objeto metálico de cerca de 14 centímetros no abdômen dele. Diante disso, foi necessária uma nova abordagem cirúrgica, removendo o material. 

Logo após, registros indicaram a presença de secreção purulenta e infecção. O parecer destacou que a permanência da pinça no organismo é considerada, por protocolos nacionais e internacionais de segurança do paciente, um evento adverso grave e evitável. 

Falha

O documento também apontou inconsistências entre os registros de conferência de materiais cirúrgicos e após a identificação do objeto no abdômen, circunstância que sugere falha nos mecanismos de controle e segurança adotados durante o procedimento.

Após a segunda cirurgia, o idoso apresentou piora, necessitando de ventilação mecânica, uso de medicamentos vasopressores e ampliação da terapia antibiótica. O óbito ocorreu em 24 de dezembro, sendo  registrado como choque séptico e úlcera gástrica perfurada.

Vale destacar que, embora a perícia particular contratada pela família ressalte que não é possível afirmar, com segurança científica, que a retenção do instrumento tenha sido a causa exclusiva da morte, conclui que o evento representou um fator agravante relevante.

Conforme a análise, a falha cirúrgica contribuiu para aumentar a complexidade do tratamento, a carga inflamatória e os riscos enfrentados pelo paciente, configurando uma doença com mais de uma causa importante na evolução clínica que culminou na morte.

Além disso, o documento recomenda aprofundamento da investigação mediante análise integral do prontuário médico, dos registros de sala cirúrgica, dos controles de instrumental e da identificação completa da equipe envolvida, a fim de esclarecer responsabilidades.