MP denuncia dois homens por feminicídio de ex-companheiras em Minas Gerais
Órgão atribui os crimes à recusa dos acusados em aceitar o fim dos relacionamentos

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou dois homens acusados de matar as ex-companheiras em Santa Efigênia de Minas, no Vale do Rio Doce. De acordo com as investigações, os crimes ocorreram nos dias 2 e 27 de junho deste ano.
O órgão atribui aos homens o crime de feminicídio, após eles não aceitarem o término dos relacionamentos, praticado em contexto de violência doméstica e familiar, com as qualificadoras de meio cruel e do recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.
Mulher foi perseguida e morta dentro de estabelecimento comercial
No primeiro caso, em 2 de junho, a vítima havia saído de casa para levar o filho mais velho à escola quando passou a ser perseguida pelo ex-companheiro pelas ruas da cidade. O homem efetuou um disparo que não a atingiu e acertou um veículo estacionado.
Na tentativa de escapar, a mulher entrou em um estabelecimento comercial em busca de proteção. O acusado invadiu o local, atirou contra a cabeça da vítima e, depois que ela caiu, efetuou mais dois disparos antes de fugir. A morte foi causada por politraumatismo.
O suspeito foi localizado, confessou o crime e indicou onde havia escondido o revólver calibre utilizado no feminicídio. O MPMG também incluiu a qualificadora de meio que resultou em perigo comum, já que os disparos foram efetuados em via pública.
Vale destacar que, ainda de acordo com a denúncia, a vítima já havia procurado a polícia para denunciar ameaças de morte feitas pelo ex-companheiro e possuía medidas protetivas concedidas pela Justiça. O relacionamento tinha durado aproximadamente nove anos.
Mulher foi atacada a facadas dentro de casa
O segundo feminicídio aconteceu em 27 de junho. Conforme o MPMG, o acusado planejou o crime e foi até a residência da ex-companheira, onde a surpreendeu ainda de pijama. A vítima foi atingida diversas vezes em diferentes partes do corpo na cozinha de casa.
A necropsia concluiu que a mulher morreu em decorrência de choque hipovolêmico (hemorrágico). Para o órgão, o crime foi motivado pela recusa do acusado em aceitar o fim de um relacionamento de 35 anos. A qualificadora do meio cruel ficou evidenciada.
Embora a prisão em flagrante tenha sido inicialmente convertida em prisão domiciliar durante a audiência de custódia, a Justiça decretou posteriormente a prisão preventiva do investigado após pedido do órgão. O mandado foi cumprido na terça-feira (14).
