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Polícia Civil conclui inquérito e indicia suspeito que ateou fogo em amigo durante festa em Lagamar

Vítima permanece internada há mais de um mês sem previsão de alta; suspeito segue preso preventivamente.

Luís César2026-07-10Fonte: Policia Civil
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A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou o caso do jovem que teve o corpo incendiado durante uma confraternização na zona rural de Lagamar, no dia 7 de junho, e indiciou o suspeito por tentativa de homicídio triplamente qualificada. O suspeito permanece preso preventivamente por decisão da Justiça. A vítima de 22 anos segue internada há mais de um mês, sem previsão de alta médica.

De acordo com o relatório final da investigação, a vitima dormia em uma barraca montada na sala da residência onde acontecia a confraternização quando, após um desentendimento, o investigado despejou gasolina sobre a barraca. Ainda conforme a Polícia Civil, mesmo após ser alertado por pessoas presentes sobre o alto risco de incêndio, o suspeito insistiu em acionar um isqueiro diversas vezes até provocar as chamas.

O fogo se espalhou rapidamente e atingiu a vítima, que sofreu queimaduras graves em diversas partes do corpo. O jovem de 22 anos foi socorrido inicialmente em Lagamar e, devido à gravidade dos ferimentos, transferido para o Hospital Regional Antônio Dias, em Patos de Minas. Outro participante da confraternização também sofreu queimaduras ao retirar as roupas em chamas da vítima durante o resgate.

Durante as investigações, a Polícia Civil ouviu a vítima e diversas testemunhas, além de reunir laudos periciais, registros médicos, fotografias das lesões e do local do incêndio, entre outros elementos que, segundo a corporação, comprovaram a materialidade do crime e apontaram a autoria.

O delegado responsável pelo caso concluiu que estão presentes três qualificadoras da tentativa de homicídio: motivo fútil, já que a discussão teria começado em razão da reprodução de uma música; emprego de fogo, pelo uso de gasolina para potencializar o incêndio; e recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que ela dormia no momento do ataque. O relatório também destaca que o incêndio colocou em risco outras pessoas que dormiam na residência.

A Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado durante a apuração. O pedido foi deferido pela Justiça. Após ser preso, o suspeito foi interrogado, mas exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio, informando que se manifestará apenas em juízo.

Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar o caso e decidir sobre o eventual oferecimento da denúncia à Justiça.

Em nota, o advogado da vítima, afirmou que, apesar da dor enfrentada pela família, a conclusão do inquérito e o indiciamento representam um passo importante na busca pela responsabilização do autor. Segundo a defesa, a família continuará acompanhando o andamento do processo perante o Ministério Público e o Poder Judiciário, confiando na completa apuração dos fatos e na responsabilização criminal.

Já a defesa do suspeito informou que recebeu com serenidade a conclusão do inquérito. Em nota, o advogado ressaltou que o indiciamento é um ato próprio da fase investigativa e não representa um julgamento definitivo de culpa ou eventual condenação. A defesa afirmou ainda que respeita o trabalho da Polícia Civil, mas sustentou que os fatos ainda serão analisados pelo Ministério Público e, posteriormente, pelo Poder Judiciário, ocasião em que pretende apresentar os elementos que embasam a tese defensiva. Por fim, informou que, em respeito ao sigilo do processo e ao regular andamento da ação, não fará comentários sobre o mérito neste momento, reafirmando confiança na Justiça e no devido processo legal.