CPI da Saúde ouve ex-diretoras e investiga procedimentos e contratos da Regulação municipal
Comissão tem menos de 60 dias para concluir os trabalhos

Foi realizada, na manhã desta terça-feira (13), mais uma rodada de oitivas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde entre janeiro de 2021 e maio de 2026, período que inclui a gestão da ex-secretária Ana Carolina.
Na prática, a Diretoria de Regulação é responsável por organizar o acesso dos pacientes a consultas, exames e procedimentos especializados, além de acompanhar a distribuição das vagas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Foram ouvidas Ana Paula Pereira e Betânia Eneida de Morais.
Mudança
Antes dos depoimentos, os integrantes da CPI se reuniram para definir o novo relator da comissão. O vereador Toninho Cury foi escolhido para assumir a função. A mudança ocorreu após o vereador Paulo Augusto Corrêa formalizar sua saída, após alegar divergências em relação à condução dos trabalhos.
Com a alteração, a vereadora Professora Beth passou a integrar a CPI, ocupando a vaga deixada pelo colega de partido. A comissão segue presidida pelo vereador Mauri da JL, com Toninho Cury como relator. Também fazem parte do grupo os vereadores Sargento Leomar, Paulo Henrique Caixeta e Professora Beth.
Depoimentos
Foram ouvidas Ana Paula Pereira, que atuou na função de 2018 a 2026 e compareceu acompanhada do advogado Francisco Frechiani, e Betânia Eneida de Morais, que exerceu interinamente a direção do setor entre os anos de 2025 e 2026, durante um período de afastamento de Ana Paula.
Ana Paula foi questionada sobre a atuação do médico Eduardo Alves de Magalhães, marido da ex-secretária municipal de Saúde, Ana Carolina. A ex-diretora afirmou ainda que Ana Carolina não teria dado ordens para favorecer empresas ou prestadores de serviços nos contratos da área da saúde.
“Tinham outros médicos que também faziam; ele fazia um volume maior porque ele tinha condição de executar e a gente precisava da demanda. A Santa Casa pedia 100 pacientes para amanhã ou 100 pacientes para a semana que vem, e ele conseguia atender. Nossa única responsabilidade era conseguir esse acesso", explicou Ana Paula.
A atual diretora de Regulação, Mirian Aparecida Porto, também prestou depoimento. Há cerca de dois meses à frente do setor, ela explicou que, após a suspensão dos contratos com médicos e empresas investigados, a prefeitura tem trabalhado para garantir a continuidade dos atendimentos.
“Dentro do possível, a Secretaria de Saúde de Patos de Minas tem conseguido alocar os pacientes em outros serviços. A Santa Casa tem feito uma gama muito grande de cirurgias de catarata e os demais procedimentos que não consegue realizar estão sendo direcionados para outros estabelecimentos que têm contratos com o próprio Cisalp”, contou.
A CPI tem menos de 60 dias para concluir os trabalhos. Até a apresentação do relatório final, a comissão ainda prevê ouvir outras pessoas para esclarecer os fatos investigados.
