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Saúde

Doença de Newcastle: analistas avaliam que foco em Santa Catarina deve ter impacto limitado na avicultura brasileira

Brasil adotou medidas de contenção após confirmar caso em granja comercial; duração das restrições e posição da China são os principais pontos de atenção para as exportações de frango.

Matheus Borges2026-10-20Fonte: Reuters.
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A confirmação de um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de Santa Catarina não deve provocar impactos duradouros na avicultura brasileira, desde que as autoridades consigam conter rapidamente o caso. A avaliação é de analistas ouvidos pela Reuters, que apontam as restrições comerciais internacionais, principalmente as relacionadas à China, como a principal incerteza para o setor.

O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, confirmou o caso na segunda-feira (19). Após a identificação, foram adotadas medidas de contenção, enquanto países importadores começaram a avaliar possíveis restrições às compras do produto brasileiro.

O México, que foi o sétimo maior comprador de carne de frango do Brasil no ano passado, suspendeu as importações. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também informou que o país adotaria um autoembargo temporário às remessas destinadas à China, enquanto as autoridades chinesas avaliam se a suspensão será aplicada a todo o território brasileiro ou apenas à região afetada.

China é principal preocupação para exportadores

A China responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango e é apontada por analistas como o principal fator de incerteza neste momento.

Segundo avaliação do Santander, as restrições comerciais adotadas com base nos protocolos atuais podem atingir aproximadamente 15% da produção brasileira de frango. Caso as suspensões se prolonguem, os exportadores poderão precisar redirecionar os embarques para outros mercados ou ampliar as vendas no mercado interno.

Esse movimento pode pressionar os preços e as margens das empresas do setor, dependendo da duração das restrições e da capacidade de encontrar novos compradores.

O Santander também avalia que a MBRF está mais exposta a eventuais interrupções comerciais do que a JBS, que possui maior diversificação geográfica em suas operações.

Histórico indica possibilidade de recuperação

O Brasil registrou um foco anterior da Doença de Newcastle em julho de 2024, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, as exportações de carne de frango caíram cerca de 25%, o equivalente a 100 mil toneladas, durante o mês afetado pelas restrições, segundo estimativas de analistas do JPMorgan.

Apesar da queda inicial, os embarques se recuperaram rapidamente após a reabertura dos mercados, sem impacto significativo nos lucros da MBRF e da JBS, conforme a análise citada pela Reuters.

A China foi um dos principais fatores de prolongamento das restrições naquele episódio, mantendo um embargo ao estado afetado até janeiro de 2026. Outros compradores importantes, como México, União Europeia, Arábia Saudita e Japão, flexibilizaram as medidas mais rapidamente ou adotaram restrições geograficamente limitadas.

Para os analistas do JPMorgan, a experiência anterior indica que o impacto do novo foco pode ser menor caso a doença permaneça localizada e os países importadores adotem protocolos que restrinjam as compras apenas da área afetada.

Mercado acompanha duração das medidas

A reação inicial também foi percebida no mercado financeiro. Na segunda-feira (19), as ações da MBRF recuaram mais de 4%, enquanto os papéis da JBS negociados nos Estados Unidos caíram cerca de 1%, segundo a Reuters.

Apesar das preocupações, os analistas avaliam que um foco isolado não deve comprometer de forma duradoura o desempenho do setor, desde que a contenção seja eficaz.

O principal ponto de atenção é o alcance das restrições e o tempo necessário para que os mercados retomem as compras. Para a avicultura brasileira, a evolução das negociações com a China e a possibilidade de limitar os embargos à região afetada serão determinantes para dimensionar os efeitos sobre as exportações.