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Saúde

Pessoas com 70 anos ou mais passam a poder doar sangue no Brasil

Nova regra do Ministério da Saúde permite doação por idosos considerados aptos na avaliação clínica; regulamento também altera prazos para alguns procedimentos e reforça a segurança das transfusões.

Matheus Borges2026-10-06Fonte: NTV
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Pessoas com 70 anos ou mais que estejam em boas condições de saúde já podem doar sangue no Brasil. A mudança entrou em vigor nesta quarta-feira (30), com a atualização do regulamento técnico da hemoterapia estabelecida pela Portaria GM/MS 11.685/2026, publicada pelo Ministério da Saúde em julho.

Para realizar a doação, o interessado precisa passar pela avaliação clínica do serviço de hemoterapia e ser considerado apto. Também devem ser respeitados os intervalos e a frequência de doações estabelecidos para essa faixa etária.

Segundo o Ministério da Saúde, a atualização amplia as possibilidades de doação e, ao mesmo tempo, mantém os critérios necessários para garantir a segurança tanto de quem doa quanto de quem recebe a transfusão.

O novo regulamento também reduziu o período de espera para algumas pessoas que passaram por exames, utilizaram determinados medicamentos ou realizaram procedimentos estéticos que envolvem microagulhamento.

Nos casos de tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimentos e aplicação de botox, por exemplo, a doação poderá ser feita após sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em estabelecimento que cumpra as normas de segurança. Quando não for possível confirmar as condições do local, o prazo de espera passa a ser de quatro meses.

Para quem utiliza piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser realizada quatro meses após a retirada do acessório.

Entre as medidas de segurança incluídas na atualização está a obrigatoriedade do teste de malária em 100% das amostras de sangue coletadas para triagem.

O teste NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já era utilizado para identificar HIV e os vírus das hepatites B e C. Com a atualização, passou também a detectar o parasita causador da malária.

Com a mudança, o período de impedimento para pessoas que estiveram em municípios de áreas consideradas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, dependendo da situação, o período poderia chegar a 12 meses.

O Ministério da Saúde também adotou o padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas de sangue e amostras. A medida busca reforçar a rastreabilidade do material em todas as etapas, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos.

Outra alteração está relacionada às plaquetas. O prazo de validade do concentrado pode passar de cinco para sete dias, desde que sejam cumpridas as medidas de controle de qualidade exigidas.

A mudança pretende reduzir o descarte de plaquetas, componente utilizado principalmente no atendimento de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia e pacientes com doenças hematológicas ou outras condições que exigem transfusões frequentes.

De acordo com o Ministério da Saúde, para doar é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar um documento oficial com foto, que também pode ser apresentado em formato digital.

Adolescentes a partir dos 16 anos também podem se candidatar à doação, desde que tenham autorização do responsável.

O interessado deve procurar o hemocentro mais próximo para consultar os horários de atendimento e passar pela triagem. Nessa etapa, profissionais de saúde avaliam as condições clínicas e verificam se a pessoa está apta a realizar a doação.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3,26 milhões de coletas de sangue em 2025. A taxa foi de 15,29 doações para cada mil habitantes, a maior desde o período da pandemia de Covid-19.

Os números apontam uma recuperação gradual das doações depois da redução registrada em 2020. Com a atualização das regras, o Ministério da Saúde espera ampliar o número de pessoas aptas a contribuir para os estoques dos hemocentros sem comprometer a segurança do processo de doação e transfusão.