21 de janeiro: Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
Preconceito nasce da falta de conhecimento sobre práticas, símbolos e ensinamentos
Celebrado em 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído por lei para reforçar que a liberdade de crença é um direito fundamental e garantido, mas que ainda é violado diariamente em diferentes regiões do país.
“O dia surgiu a partir da resistência e da luta da Mãe Gil de Ogum, que morreu no dia 21 de janeiro de 2000, devido aos diversos crimes que ela e seu templo sofreram”, explicou o presidente da Comissão Racial da OAB Patos de Minas, Arthur Takishita.
Segundo a sacerdotisa Mãe Jura do Quilombo, o preconceito ainda atinge, principalmente, as religiões de matriz africana. Para ela, o desrespeito nasce da falta de conhecimento sobre práticas, símbolos e ensinamentos que fazem parte de cada tipo de tradição.
“Já passei por várias tribulações e sofrimentos, a ponto de chegar nos lugares e as pessoas baterem a porta na minha cara, andar na rua e as pessoas cochichando e me chamando de ‘feiticeira’. Apesar disso, continuo aqui firme e forte”, contou Mãe Jura.
Direito de existir
A presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Ethieny Nunes, ressaltou que a intolerância religiosa não pode ser analisada de forma isolada, uma vez que o preconceito contra religiões de matriz africana esbarra diretamente no racismo e discriminação.
“Isso demonstra que, além de a sociedade não ter aceitação com o povo preto, tem uma restrição com as suas origens, com as suas raízes. A sociedade precisa ter mais conhecimento sobre o tema e respeitar a dignidade das pessoas”, destacou Ethieny.
Mesmo após séculos de história, a intolerância religiosa ainda carrega marcas profundas do período da escravidão. O pedido é simples: o direito de existir com a própria fé, de circular sem esconder seus colares de contas e de praticar rituais sem medo de ataques.
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