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Negócios

Comércio emprega 10,6 milhões de pessoas e gera R$ 7,7 trilhões em 2024

O comércio formal ocupou 10,6 milhões de pessoas em 1,6 milhão de empresas no ano de 2024.

Matheus Borges2026-07-29Fonte: Estatísticas Econômicas | Aluisio Marques e Luiz Bello | Arte: GEDI.
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Em 2024, 10,6 milhões de pessoas estavam ocupadas em 1,6 milhão de empresas comerciais. No ano, os trabalhadores do setor receberam R$ 369,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. As empresas comerciais registraram receita operacional líquida de R$ 7,7 trilhões. Os dados são da Pesquisa Anual de Comércio (PAC 2024), divulgada nesta quarta-feira (29), pelo IBGE. As quantias monetárias estão valoradas a preços correntes do período da pesquisa.

A PAC fornece um panorama detalhado das características estruturais do segmento empresarial da atividade de comércio no Brasil, investigando temas como caracterização do faturamento das empresas comerciais, estrutura da margem de comercialização, concentração de mercado, perfil do emprego do setor de comércio e estrutura das empresas comerciais nas Grandes Regiões e respectivas unidades da federação.

O setor varejista respondeu pela maior proporção de empregos do comércio, com 7,6 milhões de trabalhadores. Os demais ocupados distribuíram-se entre o comércio por atacado (2,0 milhões) e o comércio de veículos, peças e motocicletas (950,7 mil).

Como destaque, as três atividades com maior número de pessoas ocupadas pertencem ao comércio varejista: hipermercados e supermercados (1,6 milhão de trabalhadores); comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ortopédicos e de óptica (887,3 mil); e comércio de material de construção (858,5 mil).

A análise do emprego no comércio pode ser aprofundada por meio do porte médio das empresas, correspondente ao número médio de trabalhadores por empresa. Em 2024, esse indicador foi de sete pessoas por empresa. O comércio de veículos, peças e motocicletas apresentou porte médio de seis pessoas, enquanto o comércio por atacado e o comércio varejista registraram média de sete pessoas por empresa.

Ampliação da coleta na Região Norte do país

Até o ano de referência de 2023, a PAC abrangia empresas sediadas em todo o território nacional, com exceção da Região Norte. Nessa parte do país a pesquisa englobava apenas as empresas localizadas nas capitais dos estados e nos municípios da Região Metropolitana de Belém. A partir de 2024, o âmbito geográfico da pesquisa foi ampliado para incluir todas as empresas sediadas nos estados de Rondônia, Amazonas, Pará e Amapá. Há previsão de que essa ampliação será estendida aos estados do Acre e de Roraima para o levantamento referente ao ano de 2025. Somente em Tocantins a cobertura vai permanecer restrita às empresas sediadas na capital.

Comércio pagou, em média, 1,9 salário mínimo

As empresas comerciais pagaram, em média, 1,9 salário mínimo (s.m.) em 2024. O comércio por atacado liderou com o maior salário médio (2,8 s.m.), seguido pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (2,1 s.m.) e pelo comércio varejista (1,6 s.m.).

Os maiores salários médios foram registrados no segmento do comércio por atacado: comércio por atacado de equipamentos e produtos de tecnologia da informação e comunicação (5,8 s.m.), seguido pelo comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (4,7 s.m.) e pelo comércio por atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos, médicos, ortopédicos, odontológicos e veterinários (4,6 s.m.).

Regionalmente, o salário médio nacional foi de 1,9 s.m. em 2024. As Regiões Sudeste (2,1 s.m.) e Sul (2,0 s.m.) registraram remuneração acima da média brasileira. Já as Regiões Centro-Oeste (1,8 s.m.), Norte (1,6 s.m.) e Nordeste (1,5 s.m.) apresentaram valores inferiores à média nacional.
Receita líquida do comércio alcançou R$ 7,7 trilhões em 2024

As empresas comerciais registraram, em 2024, receita bruta de R$ 8,4 trilhões. Desse montante, R$ 807,1 bilhões foram provenientes do comércio de veículos, peças e motocicletas, R$ 4,1 trilhões do comércio por atacado e R$ 3,5 trilhões do comércio varejista. Após os descontos de impostos sobre vendas, vendas canceladas, descontos incondicionais, abatimentos e outras contribuições, a receita operacional líquida do setor totalizou R$ 7,7 trilhões. O comércio por atacado respondeu por 48,7% da receita operacional líquida, seguido pelo comércio varejista (41,4%) e pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (9,9%).

Entre os 37 agrupamentos do setor comercial, três concentraram a maior parcela da receita operacional líquida: hipermercados e supermercados (12,0%), comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (11,5%) e comércio por atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%).Quase metade das vendas de lojas de departamento foi pela internet

Dentro do comércio varejista, o levantamento traz informações relevantes relativas à comercialização pela internet para empresas do estrato certo, ou seja, com 20 ou mais pessoas ocupadas. Ao todo, 9,9% das receitas das empresas do setor foram geradas por canais de vendas pela internet. Destaque para o comércio em lojas de departamento, onde 49,6% das receitas foram resultado das vendas online.

Margem de comercialização totalizou R$ 1,7 trilhão

A margem de comercialização, que representa a diferença entre a receita líquida de revenda e o custo das mercadorias revendidas, totalizou R$ 1,7 trilhão em 2024. O comércio varejista respondeu por 52,8% desse valor, seguido pelo comércio por atacado (38,9%) e pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (8,3%).

Ao avaliar a taxa de margem de comercialização, a PAC revelou que o comércio varejista foi o que obteve o maior valor (38,6%), seguindo por comércio de veículos, peças e motocicletas (23,2%) e pelo comércio por atacado (22,0%).

Entre os 37 agrupamentos do setor comercial, as maiores taxas de margem de comercialização foram observadas no comércio varejista de artigos do vestuário e complementos (86,1%), seguido pelo comércio varejista de tecidos e artigos de armarinho (77,9%) e comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos (72,1%).

As três atividades com menores taxas ocorreram no comércio por atacado de combustíveis e lubrificantes (6,3%), comércio por atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos (12,9%) e comércio de veículos automotores (14,2%).


Concentração do comércio ficou em 8,7%

Entre os elementos estruturais do comércio levantados pela PAC, é possível avaliar o nível de concentração de mercado através da "Razão de Concentração de Ordem 8" (R8). Esse indicador representa a participação percentual das oito maiores empresas na receita líquida total do setor. Quanto maior o R8, maior é a concentração no setor, segmento ou agrupamento de atividades. A pesquisa mostrou que a concentração de mercado foi de 8,7% em 2024.


Sudeste mantém liderança em receita e emprego

Os resultados da PAC 2024 mostram que a Região Sudeste manteve a liderança em termos de receita bruta de revenda, número de unidades locais, pessoal ocupado e remunerações, seguida pelas Regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Em 2024, a Região Sudeste respondeu por 48,0% da receita bruta de revenda, seguida pela Região Sul (20,4%), Nordeste (15,1%), Centro-Oeste (11,1%) e Norte (5,4%).

Observando-se o número de pessoas ocupadas, o Sudeste concentrou 5,3 milhões de trabalhadores, seguido pelo Sul (2,1 milhões), Nordeste (1,8 milhão), Centro-Oeste (916,3 mil) e Norte (537,9 mil).

São Paulo permaneceu como a unidade da federação mais representativa em termos de receita bruta comercial, respondendo por 28,7% do Brasil. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 9,9%, seguido por Paraná (7,8%), Santa Catarina (6,3%), Rio Grande do Sul (6,3%) e Rio de Janeiro (5,7%).

A análise regional também pode ser observada dentro de cada Grande Região. São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Bahia e Pará ocuparam a primeira posição em participação da receita comercial em suas respectivas regiões.