Exportações de milho brasileiro para a Europa crescem em setembro, apesar de queda no acumulado da temporada
Espanha, Itália e Países Baixos ampliaram as compras do cereal em relação ao mesmo mês de 2025; corretora projeta aumento dos embarques brasileiros em outubro.

O Brasil ampliou as exportações de milho para importantes mercados da União Europeia em setembro, mesmo após perder participação no fornecimento do cereal ao bloco ao longo da atual temporada comercial. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo portal Notícias Agrícolas, mostram que Espanha, Itália e Países Baixos importaram juntos pouco mais de 1 milhão de toneladas do produto brasileiro no mês, volume 9,6% superior ao registrado em setembro de 2025.
As compras desses três países passaram de 913,4 mil toneladas em setembro do ano passado para aproximadamente 1 milhão de toneladas neste ano. O avanço foi impulsionado principalmente pela Itália, que aumentou as importações em 64,1%, de 177,1 mil para 290,6 mil toneladas.
A Espanha também ampliou as compras, com crescimento de 6,8%, chegando a 446,7 mil toneladas. Já os Países Baixos reduziram o volume importado do Brasil em 17,1%, para 263,8 mil toneladas.
Embarques se concentram em setembro
Considerando cinco destinos europeus — Espanha, Itália, Países Baixos, Irlanda e Portugal —, os embarques brasileiros somaram 1,07 milhão de toneladas em setembro. O volume superou as 895,4 mil toneladas acumuladas por esses mesmos mercados entre janeiro e agosto de 2026.
A Espanha liderou as compras, seguida pela Itália e pelos Países Baixos. Irlanda e Portugal receberam, respectivamente, 37,4 mil e 30 mil toneladas.
Apesar do avanço pontual, as exportações brasileiras totais de milho recuaram 31,1% na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, passando de 7,56 milhões para 5,21 milhões de toneladas.
Com isso, Espanha, Itália e Países Baixos ganharam importância relativa como destinos do cereal brasileiro. Juntos, os três mercados passaram a representar aproximadamente 19,2% das exportações nacionais de milho em setembro, ante 12,1% no mesmo mês do ano anterior.
Estados Unidos avançam no mercado europeu
Mesmo com a reação observada nos embarques de setembro, o Brasil ainda registra queda no fornecimento de milho à União Europeia no acumulado da temporada comercial.
Segundo dados da Comissão Europeia citados pela Reuters, o bloco importou cerca de 6,64 milhões de toneladas do cereal entre 1º de julho e 18 de outubro de 2026, aumento de aproximadamente 40% em relação ao mesmo período da temporada anterior.
Os Estados Unidos foram o principal destaque entre os fornecedores, com embarques que avançaram de cerca de 900 mil para 2,9 milhões de toneladas. O Brasil permaneceu na segunda posição, mas o volume recuou de 2,74 milhões para 1,82 milhão de toneladas.
A Ucrânia também ampliou a participação, passando de aproximadamente 770 mil para 1,62 milhão de toneladas.
Os números mostram que o aumento da demanda europeia por milho importado não se traduziu, até o momento, em crescimento dos embarques brasileiros no acumulado da temporada.
Projeção aponta aumento das exportações em outubro
A corretora Stag International projeta que as exportações brasileiras de milho para países europeus podem alcançar 1,65 milhão de toneladas em outubro de 2026, ante aproximadamente 200 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.
A expectativa, divulgada pela Reuters, considera fatores como dificuldades logísticas enfrentadas pela Ucrânia e a competitividade das ofertas sul-americanas, incluindo as do Brasil e da Argentina.
Programações de embarque acompanhadas pela agência marítima Cargonave também indicam a possibilidade de exportações brasileiras superiores a 1 milhão de toneladas para destinos europeus em outubro.
As estimativas, porém, ainda dependem da confirmação dos embarques efetivos. Os dados oficiais dos próximos meses deverão indicar se o movimento observado em setembro representa uma recuperação mais consistente da presença brasileira no mercado europeu.
Para os produtores nacionais, o avanço das compras europeias pode ampliar as alternativas de comercialização do milho. O efeito sobre os preços internos, entretanto, também depende de fatores como câmbio, fretes, custos logísticos, demanda doméstica e concorrência internacional.
