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Polícia Civil indicia empresário e mecânico por morte de piloto em queda de avião em Coromandel

De acordo com as investigações, o mecânico utilizou peças não originais na aeronave

Lorena Teixeira2026-08-26Fonte: Polícia Civil
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A Polícia Civil indiciou o presidente do Grupo Farroupilha, Inácio Carlos Urban, de 75 anos, e o mecânico Rogério Dalla Santa, de 49 anos, por homicídio culposo pela morte do piloto Rodrigo Carlos Pereira, de 39 anos. O acidente ocorreu em fevereiro de 2020, quando o avião usado na pulverização de agrotóxicos caiu na Fazenda São Francisco, em Coromandel.

O inquérito foi concluído em 12 de abril e encaminhado ao Ministério Público quatro dias depois. Segundo o documento, Urban teria contratado Dalla para realizar, de forma clandestina, serviços de manutenção na aeronave. Conforme a investigação, o mecânico não possuía habilitação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para executar esse tipo de atividade.

Mensagens trocadas entre o mecânico e o piloto indicaram que Dalla fazia manutenção na aeronave de forma habitual. De acordo com o despacho de indiciamento, assinado pelo delegado Leandro Fernandes Araújo, a aeronave apresentava diversos problemas considerados, como superaquecimento, corte de combustível e falhas nos sistemas elétricos e termostático. 

De acordo com o advogado de Inácio Carlos Urban e Rogério Dalla Santa, a defesa foi oficialmente comunicada sobre o conteúdo da sentença, contudo, não concorda com as conclusões. Será manejado recurso próprio pelos dois sentenciados observando o devido processo legal.

Apuração

A investigação apontou ainda que o mecânico utilizou peças não originais na aeronave. No primeiro voo realizado após o serviço, a aeronave caiu cerca de dez minutos depois da decolagem, na cabeceira da pista da fazenda. A perícia apontou que a utilização de uma peça não original indicaria que o profissional não teria condições de realizar uma manutenção segura. 

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicou que os tanques da aeronave estavam íntegros, mas vazios após a queda. Os demais componentes do motor também não apresentavam combustível residual. O documento registrou que Rodrigo havia solicitado combustível em quantidade considerada suficiente para realizar o trajeto de ida e volta.

Rodrigo foi retirado com vida dos destroços, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito enquanto era levado ao pronto-socorro de Coromandel. Considerado experiente pela Polícia Civil, ele deixou a esposa e dois filhos, que tinham três e cinco anos na época do acidente. Para a Polícia Civil, Inácio Carlos Urban teria deixado de adotar medidas necessárias para evitar o acidente.