Doação de órgãos pode salvar até 10 vidas; famílias precisam conhecer a vontade dos doadores
Em Minas Gerais, transplantes são realizados gratuitamente pelo SUS. Autorização da família é indispensável para a doação após a morte, por isso conversar sobre o assunto ainda em vida é fundamental.

A decisão de doar órgãos pode representar uma nova chance de vida para pessoas que aguardam por um transplante. Um único doador pode beneficiar até dez pacientes, oferecendo esperança a quem enfrenta doenças graves e depende de um órgão ou tecido para continuar vivendo.
Apesar da importância desse gesto de solidariedade, a doação ainda depende de uma decisão fundamental: a autorização da família. No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, são os familiares que precisam autorizar formalmente o procedimento após a morte. Por isso, conversar com parentes e deixar clara essa vontade é uma das principais formas de contribuir para salvar vidas.
Existem duas modalidades de doação: a realizada por pessoas vivas e aquela feita após a morte. No caso do doador vivo, uma pessoa saudável e maior de idade pode doar um rim, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea, desde que sejam respeitados os critérios médicos e legais.
Já a doação após a morte pode ocorrer em duas situações. Quando há diagnóstico de morte encefálica, é possível realizar a captação de órgãos e tecidos, desde que haja autorização familiar e condições clínicas adequadas. Nos casos de parada cardíaca, a doação pode contemplar tecidos, como córneas, ossos e pele.
COMO FUNCIONA A DOAÇÃO EM MINAS GERAIS
Em Minas Gerais, a coordenação dos transplantes é realizada pela Central Estadual de Transplantes, conhecida como MG Transplantes. O órgão administra a lista única estadual de espera, integrada ao Sistema Nacional de Transplantes.
A distribuição dos órgãos considera critérios técnicos, como compatibilidade sanguínea, tamanho do órgão em relação ao receptor, gravidade do quadro clínico e tempo de espera. Em determinadas modalidades, também são avaliados critérios de compatibilidade genética.
Quando uma família autoriza a doação, a Central Estadual de Transplantes consulta o sistema para identificar os pacientes compatíveis. Caso não exista um receptor adequado em Minas Gerais ou não seja possível realizar determinado procedimento no estado, o órgão pode ser disponibilizado à Central Nacional de Transplantes.
Entre os transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde em Minas Gerais estão os de coração, córnea, fígado, medula óssea, pâncreas, pele, rim, rim associado ao pâncreas, tecido musculoesquelético e pulmão.
Todos os procedimentos são gratuitos pelo SUS, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento médico e medicamentos necessários após o transplante.
COMO MANIFESTAR O DESEJO DE SER DOADOR?
Uma das principais orientações é comunicar a decisão aos familiares. A legislação brasileira estabelece que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas falecidas depende de autorização de familiar legalmente habilitado.
Também existem ferramentas que permitem registrar formalmente essa vontade. Uma delas é a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponibilizada pelo Colégio Notarial do Brasil. O procedimento é digital e gratuito, realizado pelo site www.aedo.org.br, com confirmação da identidade do interessado por videoconferência com um cartório.
Outra possibilidade é registrar o desejo de ser doador na emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), conforme as opções disponibilizadas no atendimento. Essas manifestações ajudam a informar a família e podem facilitar a decisão, mas não substituem a autorização familiar exigida pela legislação.
COMO ENTRAR NA LISTA DE ESPERA?
Para quem precisa de um transplante, o primeiro passo é procurar uma unidade de Atenção Primária à Saúde no município onde reside. Caso o médico identifique uma possível necessidade do procedimento, o paciente será encaminhado para avaliação especializada.
Se a indicação for confirmada, o paciente passa por exames e avaliação pré-transplante em um centro habilitado. A inclusão na lista depende dos critérios clínicos específicos de cada modalidade.
O processo envolve uma estrutura integrada entre hospitais, equipes médicas, organizações de procura de órgãos e a Central Estadual de Transplantes. Em Minas Gerais, a logística também conta com apoio de forças de segurança, como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, para o transporte de órgãos quando necessário.
A doação de órgãos é um gesto que pode transformar a dor de uma família em esperança para outras pessoas. Mais do que manifestar a intenção, é importante conversar sobre o assunto e garantir que os familiares conheçam essa decisão. Afinal, uma conversa em vida pode fazer a diferença para quem espera por uma nova oportunidade.
