Espremer espinhas pode causar infecções graves; especialistas alertam para riscos da zona de perigo do rosto
Acne afeta milhões de pessoas no mundo e, embora complicações sejam raras, manipular lesões na região entre o nariz e a boca pode favorecer infecções com potencial de atingir estruturas profundas do organismo.
A prática de espremer espinhas em casa, considerada comum por muitas pessoas, pode representar riscos importantes à saúde, principalmente quando a lesão está localizada na chamada "zona de perigo" do rosto. A região, que compreende a área entre a base do nariz e os cantos da boca, possui vasos sanguíneos que se comunicam com estruturas intracranianas, o que pode favorecer a disseminação de infecções em situações específicas.
A acne é uma das doenças de pele mais frequentes no mundo. De acordo com o estudo Global Burden of Disease (GBD) 2021, publicado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), a doença afeta cerca de 231 milhões de pessoas globalmente, sendo uma das condições dermatológicas mais prevalentes, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.
Segundo o dermatologista Cícero Augusto Zolli, ao contrário do que muitos imaginam, espremer uma espinha inflamada não acelera a cicatrização. A manipulação pode romper a barreira natural da pele, facilitar a entrada de bactérias, intensificar a inflamação e aumentar o risco de infecção, além de favorecer o surgimento de manchas e cicatrizes permanentes.
O cuidado deve ser redobrado quando a lesão está localizada na chamada "zona de perigo". Nessa área, as veias da face possuem conexões com estruturas venosas localizadas dentro do crânio. Embora seja uma ocorrência incomum, uma infecção pode atingir tecidos mais profundos e provocar complicações como celulite facial, abscessos, trombose do seio cavernoso e, em casos mais graves, meningite.
O tema voltou a ganhar repercussão após a internação de um influenciador digital que desenvolveu uma infecção depois de manipular uma lesão próxima aos lábios. Apesar da ampla divulgação do caso, especialistas ressaltam que esse tipo de complicação é considerado raro, especialmente quando a acne recebe tratamento adequado e os sinais de infecção são identificados precocemente.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) orienta que espinhas inflamadas não sejam manipuladas. A recomendação é procurar avaliação médica quando houver aumento da vermelhidão, dor intensa, inchaço, saída de secreção, febre ou outros sinais de agravamento. O tratamento precoce reduz significativamente o risco de complicações e permite o controle adequado da acne, evitando sequelas estéticas e problemas de saúde.

