Venda de máquinas agrícolas cai 15,8% no Brasil até agosto, aponta Anfavea
Recuo foi mais acentuado no segmento de colheitadeiras; juros elevados, endividamento dos produtores e baixa rentabilidade dificultam a renovação de equipamentos no campo.

s vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuaram 15,8% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, foram comercializadas cerca de 27 mil unidades no varejo, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (21) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A retração foi mais intensa no mercado de colheitadeiras, cujas vendas caíram 39,4%, totalizando aproximadamente 1,4 mil unidades. Já os tratores de rodas registraram queda de 14,1%, com 25,5 mil unidades comercializadas no período.
De acordo com a Anfavea, os juros elevados tornam os investimentos em colheitadeiras financeiramente mais difíceis, enquanto o endividamento dos produtores rurais e a baixa rentabilidade reduzem a procura por novos tratores.
O cenário preocupa o setor, já que as máquinas agrícolas são fundamentais para aumentar a produtividade, modernizar as operações no campo e garantir eficiência durante o plantio e a colheita.
Endividamento rural segue no radar
A retração nas vendas ocorre em um momento de dificuldades financeiras para parte dos produtores brasileiros. Levantamento da Serasa Experian divulgado na segunda-feira (19) apontou 448 pedidos de recuperação judicial relacionados ao agronegócio no segundo trimestre de 2026, uma redução de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar da queda, a empresa recomenda cautela na interpretação dos números. Segundo a avaliação apresentada, o movimento ocorre em meio ao avanço das renegociações com credores, e ainda é necessário acompanhar os resultados dos próximos trimestres para verificar se a tendência de redução vai se manter.
Importações de máquinas agrícolas aumentam
A Anfavea afirma que o mercado brasileiro de máquinas agrícolas apresenta retração desde 2021 e também demonstra preocupação com o avanço das importações.
Entre janeiro e setembro de 2026, as compras de máquinas agrícolas do exterior cresceram 42%, chegando a 11,2 mil unidades, segundo dados citados pela entidade. O aumento ocorreu mesmo diante da redução das vendas no mercado interno.
A associação aponta as compras públicas entre os fatores que contribuíram para o avanço das importações. O cenário amplia os desafios enfrentados pelos fabricantes instalados no país, que lidam com a redução da demanda interna e a concorrência de equipamentos estrangeiros.
Os dados reforçam a importância das condições de crédito, da rentabilidade das atividades rurais e dos investimentos no campo para o desempenho do mercado de máquinas agrícolas no Brasil.
