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Meio Ambiente

El Niño pode provocar calor extremo, estiagem e temporais em Minas Gerais

Previsão indica maior intensidade do fenômeno entre a primavera e o verão 2026/2027; Defesa Civil prepara ações preventivas e orienta municípios a reforçar medidas de segurança.

Matheus Borges2026-10-20Fonte: Agência Minas
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A previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses coloca Minas Gerais em alerta para possíveis impactos climáticos, como temperaturas elevadas, estiagem, queimadas e temporais. A expectativa é de maior influência do fenômeno entre a primavera e o verão 2026/2027, exigindo medidas preventivas em diferentes regiões do estado.

As previsões meteorológicas e as ações de preparação foram apresentadas nesta terça-feira (20) pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), durante um encontro com representantes da imprensa. O planejamento envolve órgãos estaduais e prefeituras, com foco no monitoramento dos riscos e na redução dos possíveis impactos à população.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, o que pode alterar os padrões de circulação atmosférica e modificar a distribuição das chuvas. Segundo as informações apresentadas pela Defesa Civil, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria considerada superforte. A previsão é de que ele comece a perder intensidade a partir de abril de 2027.

Regiões exigem atenção

Os efeitos do fenômeno podem atingir os 853 municípios mineiros, com diferenças conforme as características de cada região. No Triângulo Mineiro, Noroeste, Norte e Central, a preocupação é com a possibilidade de estiagem severa e calor extremo.

Entre outubro e dezembro, as temperaturas médias podem alcançar os maiores níveis dos últimos 30 anos, conforme a previsão apresentada pela Defesa Civil.

Já a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a Zona da Mata exigem atenção para a ocorrência de tempestades intensas, que podem provocar alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra. O risco é maior em áreas de encostas e locais com ocupação urbana vulnerável.

Os possíveis impactos também envolvem o abastecimento de água, os reservatórios, a produção agropecuária e o fornecimento de energia elétrica. Períodos prolongados sem chuva podem prejudicar as lavouras e comprometer as condições do gado, enquanto vendavais podem provocar danos à infraestrutura e à rede elétrica.

Estado prepara ações preventivas

Em setembro, foi criado o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, instituído pelo Decreto nº 49.283/2026. A estrutura reúne órgãos estaduais de áreas como meio ambiente, agricultura, saúde, educação, infraestrutura, assistência social e segurança.

A proposta é coordenar ações de prevenção e resposta a possíveis ocorrências climáticas. Entre as medidas previstas estão o apoio aos municípios, o monitoramento de áreas de risco e a distribuição de água potável para comunidades afetadas pela seca.

A Defesa Civil também promove capacitações para agentes públicos. Segundo os dados apresentados pelo órgão, mais de 830 agentes foram capacitados, alcançando mais de 230 municípios mineiros.

As prefeituras são orientadas a atualizar os planos de contingência para períodos de seca e chuvas intensas, organizar equipes de emergência, estruturar brigadas para prevenção de incêndios e realizar serviços de limpeza urbana e drenagem antes do período de maior volume de chuva.

Monitoramento e alertas

O Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), em Belo Horizonte, realiza monitoramento contínuo das condições meteorológicas e dos riscos associados. O trabalho considera informações de satélites, radares, níveis dos rios e estabilidade de encostas para subsidiar alertas e orientar a atuação das equipes de emergência.

A população pode receber avisos gratuitos da Defesa Civil por SMS. Para se cadastrar, basta enviar o CEP da região de interesse para o número 40199.

Em situações de risco, a orientação é evitar atravessar ruas alagadas ou enxurradas, não entrar em contato com água ou lama de enchentes e deixar imediatamente áreas com sinais de deslizamento ou risco de desabamento.

Em caso de emergência, os telefones disponíveis são:

  • 199: Defesa Civil;

  • 193: Corpo de Bombeiros;

  • 190: Polícia Militar;

  • 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O monitoramento das condições climáticas e a adoção de medidas preventivas são apontados como fundamentais para reduzir os riscos associados ao El Niño nos próximos meses.