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São Gotardo decreta emergência econômica e aponta prejuízos de até R$ 70 mil por hectare

Decreto cita dificuldades provocadas pela concorrência com produtos importados

Lorena Teixeira2026-08-19Fonte: Prefeitura São Gotardo
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São Gotardo decretou situação de emergência econômica no setor agropecuário diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais. Publicado em 17 de agosto, o documento aponta perdas em diferentes culturas, redução das margens de rentabilidade, aumento dos custos de produção e crescimento do endividamento.

O cenário descrito envolve culturas como alho, cenoura, batata, cebola, soja e milho, além da pecuária leiteira e de corte, assim como o município de Rio Paranaíba. Conforme o decreto, os impactos também atingem o comércio, o setor de serviços e a arrecadação municipal, devido à importância da atividade rural. 

Um dos casos mais graves citados é o da produção de alho irrigado. De acordo com o documento, o custo para produzir um hectare na safra de 2026 chegou a R$ 220 mil. A diferença entre o preço de venda e o custo de produção teria provocado um prejuízo estimado em R$ 70 mil por hectare na safra precoce de 2026.

A produtividade média caiu para 13,5 toneladas por hectare. O decreto cita dificuldades provocadas pela concorrência com produtos importados. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA), o preço médio recebido pelo produtor mineiro chegou a R$ 11 por quilo, abaixo do custo estimado de R$ 13,30 por quilo.

Chuvas e perdas 

O decreto apontou que chuvas superiores a 100 milímetros em fevereiro provocaram problemas fisiológicos e doenças nas lavouras. As culturas de cenoura e batata-inglesa apareceram entre as atividades prejudicadas. Na produção de cebola, o custo operacional informado é de aproximadamente R$ 90 mil por hectare.

Em períodos considerados críticos, produtores chegaram a receber R$ 0,76 por quilo, enquanto o custo de produção era estimado em R$ 1,37 por quilo. Nessas condições, o município aponta um prejuízo médio de R$ 40.107,50 por hectare. Ressalta-se que a crise indicada no decreto alcança ainda a produção de grãos

A soja apresentou preço médio de R$ 114 por saca, enquanto os custos de produção ficaram entre R$ 141 e R$ 146. No milho safrinha, o preço médio informado foi de R$ 57 por saca, diante de custos entre R$ 82 e R$ 86. Considerando a produção, a nota aponta perdas acumuladas entre R$ 10.103 e R$ 11.152 por hectare.