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Saúde

Nova proteína da Fiocruz amplia diagnóstico da leishmaniose visceral

Nova proteína quimérica teve pedido de patente submetido ao INPI e pode ampliar o diagnóstico integrado da doença em humanos e cães, principais hospedeiros envolvidos na cadeia de transmissão urbana.

Luís César2026-08-13Fonte: Fiocruz
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A Fiocruz avançou no desenvolvimento de uma nova tecnologia para o diagnóstico da leishmaniose visceral (LV) com a submissão ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) de um pedido de patente para uma proteína quimérica capaz de apresentar eficácia diagnóstica em seres humanos e cães. A inovação pode fortalecer a vigilância integrada da doença e ampliar as possibilidades de uso da tecnologia em estratégias de controle da transmissão.

O desenvolvimento dá continuidade aos estudos com a proteína Q5, que já possui patente concedida pelo Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos (USPTO) e demonstrou potencial para o diagnóstico da leishmaniose visceral humana em testes rápidos. No entanto, o desempenho observado em amostras de cães não apresentou o mesmo resultado.

A nova proteína busca superar essa limitação ao manter o desempenho diagnóstico e permitir a aplicação do mesmo antígeno nas duas espécies. A estratégia é considerada relevante para a vigilância epidemiológica porque, no Brasil, o cão doméstico é o principal reservatório do protozoário Leishmania infantum em áreas urbanas e periurbanas.

Além dos testes rápidos, o antígeno desenvolvido pela Fiocruz apresenta comportamento consistente em ensaios Elisa, metodologia também utilizada no diagnóstico sorológico da doença. A versatilidade permite que a tecnologia seja empregada em diferentes ambientes, desde laboratórios de referência até ações de diagnóstico em campo.

Os testes são produzidos industrialmente por meio de uma parceria entre a Fiocruz Pernambuco e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), responsável pela produção de imunobiológicos. A Fiocruz Pernambuco participa da execução, validação e controle de qualidade dos testes, além de fornecer os antígenos utilizados na fabricação.

O processo de desenvolvimento inclui um rigoroso acompanhamento da reprodutibilidade dos resultados. Cada novo lote da proteína é submetido a testes com amostras de referência já avaliadas. A resposta obtida deve permanecer consistente entre os diferentes lotes, reduzindo o risco de resultados divergentes, como falsos positivos ou falsos negativos.

A validação comparativa é realizada antes que cada lote seja liberado para uso. O procedimento busca assegurar a confiabilidade e a padronização dos testes produzidos.

O projeto é coordenado pelo pesquisador Osvaldo Pompílio, da Fiocruz Pernambuco. A pós-doutoranda Hemilly Silva conduz os testes laboratoriais, acompanha tecnicamente os ensaios diagnósticos e participa da validação dos lotes. A iniciativa também conta com Wagner Tenório, coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Testes Imunodiagnósticos de Bio-Manguinhos.

Doença pode ser fatal

A leishmaniose visceral é uma doença grave e potencialmente fatal, causada pelo protozoário Leishmania infantum. A infecção pode comprometer órgãos como fígado, baço e medula óssea, além de afetar gânglios linfáticos.

O diagnóstico precoce e o controle da transmissão estão entre os principais desafios no enfrentamento da doença, especialmente em regiões endêmicas. Nesse cenário, uma tecnologia capaz de apoiar o diagnóstico simultâneo em humanos e cães pode contribuir para ações mais integradas de vigilância e controle epidemiológico.