SAMU diz que não houve conduta inadequada em atendimento a idosa com câncer em Patos de Minas
Família diz que idosa de 70 anos sentia fortes dores e não foi transportada pelo SAMU; serviço afirma que não havia indicação de remoção emergencial.

O SAMU 192/CISREUNO informou, em nota oficial, que não identificou conduta omissiva ou inadequada da equipe que atendeu uma idosa de 70 anos, com câncer em estágio avançado, em Patos de Minas. Segundo o serviço, a paciente foi avaliada no local e as informações foram encaminhadas à Central de Regulação Médica, que não identificou, naquele momento, elementos clínicos que justificassem o transporte emergencial por uma unidade do SAMU.
O caso foi relatado pela família após a idosa apresentar fortes dores nesta semana. De acordo com a neta, Nathaaty Rodrigues, a equipe do SAMU foi acionada e compareceu à residência, mas não realizou o transporte da paciente para uma unidade de saúde. Diante da situação, os familiares decidiram levá-la por conta própria à Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas, onde ela recebeu atendimento médico.
Segundo Nathaaty, a avó enfrenta um câncer nos rins, com um tumor de aproximadamente sete centímetros, e estaria em estágio avançado da doença. A neta afirma que encontrou a idosa com fortes dores e questionou a decisão de não encaminhá-la ao hospital.
“Eu fui para a casa da minha avó por volta das 17h e ela estava aos berros de dor devido ao câncer nos rins de sete centímetros, que está em estado terminal. Ligamos para o Samu, eles vieram, mas falaram que o caso dela não era emergência. Eles iam esperar ela morrer para recolher o corpo depois?”, relatou.
A família afirma que ficou indignada com a situação e considerou que a intensidade das dores e o quadro clínico da paciente justificariam uma avaliação hospitalar. Segundo a neta, após o atendimento do SAMU, uma tia e o marido dela conseguiram levar a idosa de carro até a Santa Casa.
“Na hora, ficamos desorientados. Depois, minha tia e o marido dela conseguiram levar minha avó ao hospital de carro. Além da dor, minha avó sentiu a humilhação de não ter sido acolhida. Eles simplesmente a deixaram sem se importar se ela estava sentindo dor”, afirmou Nathaaty.
O que diz o SAMU
Em nota, o SAMU 192/CISREUNO informou que realizou atendimento pré-hospitalar em Patos de Minas no dia 27 de setembro de 2026. A instituição afirmou que, por respeito ao sigilo profissional e à proteção das informações de saúde da paciente, não divulgará dados clínicos individualizados registrados durante o atendimento.
O serviço esclareceu, porém, que analisou os registros disponíveis e não encontrou elementos que indicassem conduta omissiva ou inadequada por parte da equipe. Ainda conforme a nota, a equipe realizou avaliação clínica no local e repassou as informações à Central de Regulação Médica, seguindo o fluxo assistencial adotado pelo serviço.
O SAMU explicou que a decisão sobre o transporte considera as condições clínicas verificadas no momento do atendimento, a existência de sinais de gravidade, a necessidade de intervenção pré-hospitalar e a caracterização de uma situação de urgência ou emergência.
De acordo com os registros analisados pelo serviço, não havia, naquele momento, elementos clínicos que justificassem o transporte emergencial por uma unidade do SAMU. A instituição afirmou ainda que foram dadas orientações sobre a continuidade da avaliação da paciente pela rede assistencial.
O serviço também ressaltou que o comparecimento de uma equipe do SAMU não significa necessariamente que haverá transporte do paciente. Segundo a instituição, o atendimento pré-hospitalar inclui avaliação, assistência e orientações, enquanto o encaminhamento para uma unidade de saúde ocorre quando há indicação clínica após a avaliação e a regulação médica.
Ao final da nota, o SAMU 192/CISREUNO afirmou que, com base nos registros disponíveis, a conduta adotada observou os critérios assistenciais utilizados pelo serviço e as diretrizes aplicáveis ao atendimento pré-hospitalar móvel. A instituição também declarou solidariedade à paciente e aos familiares.
A nota é assinada pelo diretor técnico médico do SAMU 192/CISREUNO, Dr. Mychell Flávio Aparecido Rodrigues de Sousa.
